Por uma nova política de drogas!
Por uma nova política de drogas!
O mundo não é; ele está sendo!
Paulo Freire
A atual política mundial, de caráter repressivo, teve sua história global disparada a partir da década de 50, quando a ONU decidiu que o caminho da humanidade no que diz respeito às suas políticas de drogas seria o da luta incessante pelo banimento de algumas substâncias da face da Terra. Hoje, 50 anos depois, é preciso que tenhamos a coragem de olhar para esta história e de perguntar: será que o caminho é mesmo este?
Ousamos dizer que não. A repressão, que surge como resposta ao perigo que as drogas efetivamente representam na vida de jovens e adultos, foi responsável por um perigo ainda maior. Em que pese o nobre objetivo de preservar a vida, o que o caminho proibicionista conseguiu foi o oposto; aliado a uma estrutura econômica que produz profundas desigualdades sociais, o que se fez foi incentivar a consolidação de um conjunto de redes criminosas que articulam o comércio de drogas a um sem número de outras práticas ilícitas, totalmente fora de controle.
A idéia de “droga”, hoje, constitui-se em dispositivo de controle social e político. Assim como se utiliza a desculpa de guerra ao terrorismo para invadir o Iraque, se utiliza o discurso de guerra às drogas para manter sob controle milhões de pessoas empobrecidas, com muita repressão. E sobre quem recai esta repressão? Sobre jovens, negros, pobres, quase sempre do sexo masculino, moradores das periferias das grandes cidades brasileiras. Hoje, morrem muito mais jovens na guerra às drogas, do quem em função do uso destas substâncias. Com esta desculpa, estamos praticando um verdadeiro genocídio sobre parte de nossa população masculina. Há comunidade em Porto Alegre aonde mais de 20% dos homens não chegam aos 25 anos de idade.
É preciso dizer não ao extermínio, e apontar caminhos corajosos, urgentes e necessários. Precisamos fugir do debate raso da descriminalização dos usuários, e buscar alternativas que contemplem estratégias de regulamentação das relações de produção, circulação e consumo das drogas tornadas ilícitas. Precisamos de um debate sério, profundo, comprometido com dimensões de classe, etnia e gênero, e com a defesa incondicional da vida. E precisamos, sim, de uma nova política de drogas.
Precisamos de Leila Lopez, Deputada Federal!
Dênis Petuco


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